samedi 9 mai 2015

GOVERNO :: Cai a diretoria do Serpro

Maurício Renner // quinta, 07/05/2015 

Marcos Mazoni, presidente do Serpro, e os diretores de Operações, Wilson Mota, e de Desenvolvimento, José Aquino, perderam seus cargos na estatal federal de processamento de dados nessa quarta-feira, 06.


Marcos Mazoni se despede do Serpro

O fato foi revelado por umareportagem do portal brasiliense Convergência Digital. 
Procurada pela reportagem do Baguete Diário, a assessoria de imprensa do Serpro disse que só manifestaria uma posição após a publicação das exonerações no Diário Oficial.
A demissão da diretoria aconteceu depois do ministério da Previdência Social nomear um interventor no Serpros, o fundo de previdência do Serpro.
Segundo o Convergência Digital, a nomeação do interventor foi uma manobra do ministro da Previdência Social, Carlos Gabas, buscando derrubar Mazoni e colocar no lugar um indicado seu.
Ainda de acordo com o portal brasiliense, Mazoni foi demitido por telefone pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Tarcísio Godoy, enquanto estava na festa de despedida de um colega do Serpro junto com o conterrâneo gaúcho Rogério Santanna, ex-presidente da Telebras.
"Fui demitido pelo telefone", teria reagido um desconcertado Mazoni, segundo as fontes do Convergência Digital. "Bem-vindo ao mundo", teria replicado o sempre bem humorado Santanna.
O ex-presidente da Telebras, por sinal, ficou sabendo da sua demissão por meio do jornal O Globo, para somente depois ser comunicado oficialmente pelo então ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, no início do primeiro governo Dilma Rousseff.
Conspirações e folclore brasiliense aparte, o fato é que a queda de Mazoni não pode ser atribuída com exclusividade às maquinações do ministro da Previdência e ao reconhecido gosto petista pelo fogo amigo.
Nos últimos meses, pipocaram informações na imprensa ligando o Serpro ao rolo da Operação Lava-Jato, por meio da conexão de uma prestadora de serviços da empresa com o ex-secretário de comunicação do PT, André Vargas.
Segundo revelou o Correio Braziliense, a paranaense IT7, que entre 2010 e 2015 venceu licitações por um valor total de R$ 52,7 milhões na estatal, repassou R$ 2,3 milhões para empresas de fachada operadas por Vargas, que fez carreira política no Paraná.
O Serpro era presidido desde 2007 por Marcos Mazoni, que chegou a presidir a estatal estadual de processamento de dados Procergs no Rio Grande do Sul entre 1999 e 2002 e tornou-se uma figura de destaque nacional no cenário de TI ao assumir a Celepar, em 2003.

Fonte: http://www.baguete.com.br/noticias/07/05/2015/cai-a-diretoria-do-serpro

vendredi 24 avril 2015

De acordo com o BNP, o PIB do Brasil deve cair 2%




O relatório Perspectiva Global do banco francês BNP Paribas aponta que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deverá encolher 2% este ano, o dobro da previsão de que a entidade tinha um quarto atrás.
O capítulo brasileiro dos mercados globais relatório trimestral observou que as autoridades econômicas brasileiras, incluindo o Ministério da Fazenda e do Banco Central, "difícil de fazer os números em forma."
PIB do Brasil cresceu 0,1% em 2014, praticamente um estado de estagnação, e as previsões de analistas consultados semanalmente pelo Banco Central são contratados em 1% para este ano.
A perspectiva de inflação, por sua vez, foi revisada pelo BNP Paribas de 8% a 9%, acima do teto da meta oficial, fixado em 6,5%.
A "pressão" externa com "desaceleração do crescimento" na China, o maior comprador de matérias-primas brasileiras, e agitação interna, o gigante sul-americano vai "apertar" o controle da inflação e fiscal, disse o documento. "O crescimento no Brasil terá um duro golpe", disse o relatório do BNP.

San PabloEFEsáb abr 4 2015

jeudi 23 avril 2015

Para 84%, Dilma sabia do esquema de corrupção na Petrobras

Segundo pesquisa Datafolha, 74% dos que votaram em Dilma na eleição presidencial dizem que ela sabia do esquema; percentual sobe para 94% entre os que votaram em Aécio


Para 84% dos brasileiros, a presidente Dilma Rousseff sabia do esquema de corrupção que acontecia na Petrobras, aponta pesquisa Datafolha divulgada neste domingo. Além de saber do esquema, 61% dizem que Dilma deixou que ele operasse livremente. Outros 23% afirmam que, apesar de saber, Dilma “não poderia fazer nada” para impedir.

  Foto: Ueslei Marcelino / Reuters

61% dizem que Dilma deixou que esquema na Petrobras operasse livremente
Foto: Ueslei Marcelino / Reuters
Segundo a pesquisa, os resultados são parecidos entre entrevistados de todas as classes socioeconômicas, faixas etárias e preferências partidárias. Entre aqueles que declararam voto em Dilma no segundo turno da eleição do ano passado, 74% acham que a presidente sabia do esquema. Para 19%, ela não tinha conhecimento, enquanto 8% não souberam responder.
Já entre aqueles que votaram no senador Aécio Neves (PSDB-mg), 94% afirmam que Dilma sabia da corrupção na Petrobras, enquanto 3% acham que ela não sabia e outros 3% não souberam responder.
Petrobras 
A pesquisa também questionou se os brasileiros acreditam que o esquema investigado pela Operação Lava Jato irá prejudicar a Petrobras.
Para 51%, a petroleira será prejudicada “por muito tempo” e isso “coloca o futuro da empresa em risco”. Em menor ou maior grau, os que acreditam que a estatal foi prejudicada de alguma maneira somam 88,8%.
Já 6% dizem que a Petrobras não sofrerá qualquer prejuízo. Outros 7% não souberam opinar.
A pesquisa foi realizada com 2.842 entrevistados em 172 municípios, nos dias 16 e 17 deste mês, logo após as manifestações contra o governo, que aconteceram no dia 15. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
 
 

 


Source: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/03/1606342-para-84-presidente-sabia-de-corrupcao-dentro-da-petrobras.shtml

http://noticias.terra.com.br/brasil/politica/para-84-dilma-sabia-do-esquema-de-corrupcao-na-petrobras,ffdb689d3a14c410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html

mercredi 22 avril 2015

Centro de Operações do Rio constrói uma cidade mais inteligente com o Google Maps

Fonte: Google




O Centro de Operações do Rio de Janeiro (COR) monitora a atividade diária da cidade e situações de crise em potencial, incluindo o trânsito, grandes eventos e desastres naturais. Google Maps for Business é uma ferramenta essencial para o COR coordenar as atividades de mais de 89.500 funcionários públicos e melhor servir os moradores da cidade.

lundi 20 avril 2015

A cada 72h, EUA são atualizados sobre informações da Petrobras

o foco da espionagem, os enigmas da estatal; por ano, 110 informes são enviados da embaixada americana em Brasília

POR 

RIO — A cada 72 horas o governo dos Estados Unidos recebe um relatório de atualização de informações sobre a Petrobras. Essa é a rotina americana na espionagem, análise e acompanhamento dos negócios de uma das maiores empresas petroleiras do mundo.
Os dados fluem, basicamente, por dois canais.
Um deles é a própria Petrobras, cujo sistema de criptografia foi decodificado pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (National Security Agency, a NSA, na sigla em inglês) - como demonstram os documentos obtidos por Edward Snowden, ex-colaborador da agência, divulgados pelos repórteres Sônia Bridi e Glenn Greenwald, domingo no "Fantástico".
Outro está centralizado na Embaixada dos EUA em Brasília, que envia a Washington cerca de 110 "informes" específicos por ano (são raros os classificados como ultra-secretos).

Com base em diferentes fontes americanas, é possível afirmar que o foco na estatal petroleira se tornou mais fechado a partir de 2006. Foi quando o governo Lula anunciou a existência de uma "bacia gigante" de petróleo, de tamanho equivalente ao território do Pará, a cerca de 600 quilômetros do litoral, com profundidade superior a 3 mil metros e sob a espessa camada do pré-sal brasileiro.
Desde então, multiplicou-se por dez o volume de coleta de informações sobre negócios da Petrobras e as deficiências brasileiras no setor de energia, o que incluir a alternativa nuclear.
O interesse demonstrado por Washington, levou funcionários dos escritórios de Brasília, Rio e São Paulo a sair em campo e produzir um volume recorde de análises, mais de meio milhar de mensagens, nos 36 meses seguintes à divulgação da descoberta.
 
Com surpresa, eles contaram a história da tímida resposta inicial de empresas americanas. Somente a Exxon Mobil e Hess se sentiram motivadas a fazer apostas relevantes no pré-sal. Ficaram sócias (40% cada) da estatal brasileira (20%) em um dos blocos (BM-S-22) avaliados como mais promissores da área. A Chevron escolheu ficar de fora e, mais tarde, "lamentou a decisão" - registrou o Consulado do Rio em "informe" do final de 2008.
Aparentemente, a coleta de dados sobre o pré-sal brasileiro nos últimos sete anos tem como objetivo central acompanhar em tempo real alguns enigmas que a Petrobras possa vir a decifrar.
Por exemplo: 1) como superar as dificuldades financeiras e técnicas na perfuração em profundidade extrema, através de uma espessa camada de sal, até o depósito de óleo situado a quase oito quilômetros abaixo da lâmina d`água; 2) confirmar se é correta a percepção difundida de um "campo gigante", ou se seriam grandes depósitos isolados, nos quais o custo de perfuração supera US$ 60 por barril a ser extraído.
Os resultados da Petrobras na sua batalha por respostas a questões assim equivalem ao desenho do mapa da mina, que inclui o bilionário negócio dos equipamentos necessários. Esse mapa interessa aos EUA, à Inglaterra, à Austrália, ao Canadá e à Nova Zelândia, países-parceiros da NSA no ramo da espionagem eletrônica.
Confirma-se agora que está comprometido todo o esforço e investimento feito pela estatal petroleira na criptografia dos dados que circulam por sua rede. Da mesma forma, reafirma-se que estão expostas todas as informações - sobretudo as codificadas - que circulam pela rede da administração pública e pelos serviços privados individuais, abertos ou não.
Desde julho, quando O GLOBO publicou as primeiras informações sobre as operações da NSA na América Latina, sabe-se que o Brasil é um país de portas abertas à espionagem. Na época, o governo Dilma Rousseff anunciou investigações de "denúncias de envolvimento de empresas" com a espionagem e, também, sobre as "vulnerabilidades" das redes e equipamentos pelos quais fluem os dados produzidos no país. Passaram-se dois meses e não há informação sobre resultados, nem mesmo sobre o que efetivamente esteja sendo feito, ou se pensa em fazer, para proteção do sigilo de dados dos cidadãos, do governo e das empresas.
A iniciativa pública limitou-se, até agora, a pedidos de "explicações" a Washington, secundados pela retórica diplomática sobre a conveniência de um debate nas Nações Unidas.
Prevalecem insuficiências objetivas. Uma delas é a indecisão sobre o papel da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) na eventual política de defesa cibernética, da qual só existe um breve rascunho.
O banco de dados da Anatel registra um crescimento de "incidentes/ ataques", como ela mesmo define, nas redes de telecomunicações em Curitiba (2012), na Bahia (2010/2011) e em São Paulo (2008/2009).
 
Possui, também, informações sobre uma "sequência de ataques ao governo", a partir do dia 22 de junho de 2011. Não significa, necessariamente, que governos de outros países sejam responsáveis - embora se atribua à China a façanha de ter "desviado" cerca de 15% do volume de tráfego mundial da internet em 2010.
Os registros oficiais brasileiros confirmam a dimensão da vulnerabilidade do país e demonstram a profundidade da miopia governamental. Exemplar é o uso da fatia do orçamento federal aprovada para investimento na construção de um sistema nacional de "defesa contra ameaças" cibernéticas e para produção de "mecanismos de proteção de dados sensíveis". No ano passado, de cada R$ 100 aprovados para esse programa, somente R$ 31 foram usados. Neste ano, até junho, de cada R$ 100 previstos, só haviam sido gastos R$ 8.
Na liderança política de um país que mantém a quase totalidade do seu fluxo de dados via internet - sem infraestrutura de redes, cabos submarinos ou satélites próprios-, tem 90% do seu comércio feito por linhas marítimas e produz no mar 80% do seu petróleo, Dilma Rousseff parece ter optado pelo "samba" de uma nota só: reclamar de Barack Obama. Como a fila é grande, talvez precise de senha não-criptografada.



Source: http://oglobo.globo.com/brasil/a-cada-72h-eua-sao-atualizados-sobre-informacoes-da-petrobras-9892909

dimanche 19 avril 2015

Contra espionagem dos EUA, Brasil e Europa querem que seu cabo submarino


Le Monde.fr | 

Un câble sous-marin de télécommunications mis en place en 2011 à Libreville au Gabon entre l'Afrique et l'Europe.

Brasil e União Europeia concordaram na segunda-feira 24 de fevereiro 2014, no final da 7ª Cimeira UE-Brasil, em Bruxelas, a instalação de um cabo submarino para o encaminhamento das comunicações entre os dois continentes. Cabo que liga Lisboa, Portugal, em Fortaleza, Brasil, deve ser colocado no próximo ano, graças a uma parceria entre a empresa brasileira de telecomunicações Telebras e espanhol IslaLink Cabos Submarinos, e fundos europeus e brasileiros.

Após revelações sobre a extensão da vigilância das comunicações pela Agência de Segurança dos EUA (NSA), seu principal objetivo é contornar uma possível espionagem nos Estados Unidos. Até o momento, o Brasil usa alguns cabos submarinos norte-americanos para o transporte de quase todas as suas comunicações para a Europa. O cabo existente entre a Europa eo Brasil está agora ultrapassada a partir de um ponto de vista tecnológico, e só é usado para transmissões de voz.
O presidente do Brasil Dilma Rousseff decidiu que o projeto a cabo, o que custaria € 135.000.000, foi crucial para "garantir a neutralidade" da Internet, e enfatizou seu compromisso com as comunicações de Internet do Brasil além do âmbito da supervisão EUA. "A privacidade, direitos humanos e soberania nacional deve ser respeitada", ela lançou em uma conferência de imprensa conjunta com os presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu.

EUROPEU DE COMUNICAÇÃO DA REDE?

Desde as revelações, transmitido pela TV Globo mídia brasileira em setembro, de acordo com o que a NSA espionado comunicações Rousseff, seus colaboradores mais próximos e milhões de brasileiros, assim como o óleo gigante Petrobras, o presidente critica programas de monitoramento Os americanos, que ela classificou para as Nações Unidas "violação dos direitos humanos e liberdades."

Dilma Roussef à l'ONU le 24 septembre.

Do lado europeu, os líderes são sensíveis aos interesses brasileiros, na medida em que os documentos revelados pelo ex-funcionário da NSA Edward Snowden espionagem haviam mostrado que este também afetou as instituições da UE, e ao próprio telefone A chanceler alemã, Angela Merkel.
Em meados de fevereiro, Merkel falou da criação de uma rede de comunicações europeu para assegurar que os dados pessoais transmitidos através da Internet somente trânsito nos Estados Unidos, embora o projeto ainda parece difícil. A chanceler alemã, que continua a defender uma melhor protecção de dados na Europa, também tentou, em vão, chegar a um acordo com os Estados Unidos em matéria de espionagem mútua.


As negociações sobre um acordo de livre comercio

Este projecto de cabo representa um dos poucos avançado para reforçar os laços do Brasil e da União Europeia, principal investidor estrangeiro neste país emergente. No coração da Cimeira UE-Brasil, em Bruxelas, as negociações sobre um acordo de comércio livre entre a UE eo Mercosul, iniciado em 2000, tem, por sua vez, falhou.
"Eu acho que nós somos, pela primeira vez, perto de concluir um acordo", no entanto, disse Rousseff. "Este acordo será estratégica, pois prevê a criação de um espaço econômico entre Europa e América Latina", disse o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso.
O presidente brasileiro disse que os países do Mercosul quatro fundadores - Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai - preparar uma proposta conjunta, mas o quinto membro, Venezuela, que ainda está em processo de adaptação das suas normas. Além do Brasil, pronto para assinar um acordo desse tipo, Argentina, mais protecionista, seria mais relutantes em abrir sua economia para a UE das importações.


Source: http://www.lemonde.fr/ameriques/article/2014/02/25/bresil-et-europe-prevoient-un-cable-sous-marin-pour-eviter-l-espionnage-americain_4372725_3222.html

samedi 18 avril 2015

Brasil terá Escola Nacional de Defesa Cibernética


Projeto elaborado pela Universidade Federal de Brasília será entregue em julho deste ano

POR 




Futuro. Centro de defesa on-line mostrado pela Kudelski no Riocentro. Escola brasileira vai preparar militares para a ciberguerra - DIVULGAÇÃO/Marek Donnie


RIO - Para o soldado do futuro, não bastará ter conhecimentos de sobrevivência na selva ou de táticas de batalha. Ele precisará manejar um computador com a mesma destreza com que mexe em uma arma. Pensando nisso, o Exército Brasileiro, cumprindo determinação do Ministério da Defesa, está construindo a Escola Nacional de Defesa Cibernética (ENaDCiber). O projeto foi encomendado à Universidade de Brasília (UnB) e será entregue em julho deste ano, mas ainda não existe data para o início das atividades. O espaço servirá para a capacitação de recursos humanos para atuação no setor cibernético em prol da defesa do país.

 


— Hoje, esse papel cabe ao Centro de Defesa Cibernética (CDCiber) — diz o general Paulo Carvalho, chefe do centro. — Com a escola, que ficará a cargo de outro general, nós poderemos nos concentrar nas operações de guerra cibernética.
A implantação da ENaDCiber foi definida em portaria do Ministério da Defesa publicada em outubro do ano passado, sendo parte de uma série de medidas do governo que se sucederam à divulgação de informações sobre o esquema de espionagem conduzido por agências de inteligência americanas, que chegaram a monitorar as comunicações da presidente Dilma Rousseff. Em dezembro, foi formado um comitê para a elaboração de estudos de viabilidade e concepção do instituto.
O professor Jorge Fernandes, diretor do Centro de Informática da UnB, afirma que o prazo para a entrega do projeto da ENaDCiber é em outubro, mas ele será concluído até o fim de julho. Diferentemente de outros centros de estudos do Exército, como o Instituto Militar de Engenharia, o ENaDCiber terá uma sede física, mas os cursos serão espalhados por todo o território nacional, em parcerias com universidades e centros técnicos.
— Estamos desenvolvendo a concepção da escola, definindo as metodologias de ensino, as instalações físicas necessárias, recursos humanos, regulamentos para participação, credenciamento de cursos. Esse conjunto de ideias será entregue ao Exército — explica Fernandes. — Também estamos montando cursos à distância, que devem ser oferecidos ainda este ano.
Além da escola, o projeto prevê a implantação do Sistema de Certificação e Homologação de Produtos e Serviços de Defesa Cibernética (SHCDCiber), para a análise da segurança de hardwares e softwares usados pelos organismos de defesa cibernética. A ideia é montar uma rede de laboratórios para analisar a segurança dos produtos e certificá-los de acordo com níveis de confiança.
— Você pode usar o WhatsApp para falar com a família, com os amigos, mas um general tem que saber que para uma reunião do Estado-Maior ele não serve — diz Fernandes.
CONFRONTOS EM BITS
Apesar do tom futurista, a guerra cibernética já é uma realidade. Em 2010, o vírus Stuxnet atingiu computadores que controlavam centrífugas nucleares iranianas, e provocou um imenso atraso no programa nuclear daquele país. Oficialmente, nenhum grupo ou país assumiu a autoria do ataque, mas investigações de empresas de segurança apontam que ele teria partido dos EUA, com participação de Israel. No mês passado, a China mostrou ao mundo uma nova arma de seu arsenal virtual. Apelidada “Great Cannon” (“grande canhão”), ela consegue redirecionar o tráfego de internautas estrangeiros que visitam sites chineses para um alvo. Até agora, o “canhão” só foi usado para a censura, mas ele pode derrubar servidores estratégicos para um país.
— É uma de nossas preocupações — afirmou o ministro da Defesa, Jaques Wagner, durante visita à LAAD Feira Internacional de Defesa e Segurança, que aconteceu esta semana no Riocentro. — A defesa cibernética está entre os nossos projetos estratégicos.
O CDCiber foi criado oficialmente em 2012, e, desde então, consumiu apenas R$ 190 milhões de seu orçamento previsto, de R$ 400 milhões. Apesar das restrições nos gastos, o centro se saiu bem durante os grandes eventos — Rio+20, Jornada Mundial da Juventude, Copa das Confederações e Copa do Mundo —, mas o país ainda não possui capacidade de se proteger de armas cibernéticas como o “Great Cannon”. Ao ser questionado sobre o assunto, o general Carvalho foi evasivo:
— Nós estamos investindo para isso.
Para especialistas, o Brasil está no caminho certo. Thierry Martin, vice-presidente para a América Latina da Kudelski Security, afirma que estamos no mesmo nível de outros países.
— Todos estão descobrindo o que fazer — brinca Martin. — Mas o Brasil já tem um centro de defesa militar e está formando uma legislação para a privacidade. A preocupação é necessária. Nas guerras físicas, a cibernética será bem explorada.



Fonte: 
http://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/brasil-tera-escola-nacional-de-defesa-cibernetica-15914957#ixzz3XhDU80UA